06 fevereiro 2016

Mulher na cena Heavy Metal e Extremo



O rascunho desse post estava guardado à um tempo....





       Ultimamente com todos esses casos racistas e  machistas, como o do  Phil Anselmo, do Pantera, que fez um gesto White Power durante um show, o fato de  não ter tido bandas com mulheres no evento do ano passado do Monsters of Rock, todos esses acontecimentos me levaram à vários questionamentos como mulher inserida na cena Rocker/banger e me fizeram indagar como me sinto em relação à tudo isso.

      Esse é um assunto que enche muito o saco ao ser discutido. Há os que não reconhecem a exclusão, porque não estão na pele das mulheres, há os que as excluem, até mesmo que sem querer por simplesmente achar lá no subconsciente deles que é algo apenas para homens. Enfim, é uma cena machista.

       É uma disputa: Homens mostrando pras mulheres que curtem algo muito extremo e acham ser algo que elas não conseguiriam apreciar. Homens mostrando pra outros homens o quanto são fodões e 'truuzões'. Incrível, como uma coisa que era pra unir as pessoas, as separam tanto pelo simples fato de haver uma disputa constante entre as ambas as partes. O tema aqui é a mulher inserida no metal, tanto como integrante na música, quanto as apreciadoras e fãs do estilo.

      Lembro, que há um tempo atrás, em uma dessas páginas de ' mulheres do metal', bonitas do metal, (prefiro não citar o nome), enviei uma foto minha, dizendo algumas das banda que eu curtia, minha idade, cidade e estado onde moro. Lembro também, que sem querer eu digitei um nome de uma banda errado. Enfim, teve até comentários tipo " é tão bonita, mas 'Bind Guardian?' tsc, tsc!". Pois é, um simples erro de digitação e fui massacrada.  Alguns questionaram minha roupa, meus amigos comentaram e curtiram, alguns disseram o quanto eu era bonita, outros me reduziram à um pedaço de carne.

      Não tenho nada contra esse tipo de exibição. Principalmente porque tenho um blog e sempre tem foto minha aqui, o que não é nenhum exibicionismo, ainda mais porque posto, compartilho as coisas que gosto. O que eu acho é que isso tudo inibe as próprias mulheres de mostrarem a sua feminilidade, sensualidade, autenticidade e criatividade causando-nas receio de se expressarem livremente. Cada qual tem seus limites, gostos e suas próprias convicções... 

Foto: ReeRee Philips


    Quer dizer que pra gente ser notada e reconhecida como ser autêntico temos que nos esconder, sabotar o nosso modo de ser para poder nos comparar aos homens da cena? Acho que não. O que deve acontecer é uma mudança de comportamento de ambas as partes, de modo que cada um se coloque no lugar do outro e entenda que a real importância é expressarmos seja de uma forma ou de outra o que sentimos, pensamos e amamos.

     Uma das coisas que mais me deixa enfurecida são os rótulos. Se você tira foto arrumada/maquiada: você é bonita e burra (provavelmente não conhece a bandas da blusa que está usando). Se você não é aparentemente bonita, ou não é classificada nos 'padrões de beleza' das pessoas, você também é massacrada por isso. Quanto à música, ninguém se interessa. 

       Eu como banger reparo nas cenas cotidianas. O preconceito não para na internet.: Ele te persegue até nos eventos e lugares por onde passa. Essa segregação faz com que a mulher se sinta oprimida. Ela muitas vezes é tratada como uma 'acompanhante', como uma figuração. São reduzidas à mero mulher de headbanger, a que acompanha, a que vai pra show por causa do namorado. Se bem que existe, mas isso são outros quinhentos. Ou porque é mulher que não curte nada extremo, só porque é ‘delicada’, ou não é coisa que mulher se envolva. Queria entender o sentido disso. Ou porque ‘tal estilo’ é coisa que mulher gosta’. Ou, 'tá na cena por causa do companheiro'. Não somos troféu de ninguém pra sermos exibidas ao público. Estamos aqui porque gostamos, e se temos um parceiro que gosta também, ótimo! Unimos o útil ao agradável! Quem não gosta de ter coisas em comum com o namorado?
 "...enfatizar a diferença entre homens e mulheres, acho que é algo que já deu", (...) Não é nada surpreendente que existem muito mais mulheres hoje no Metal. E elas não são apenas vocalistas. Existem vocalistas, guitarristas, baixistas... então... esqueçam isto e chamem apenas de 'Metal Sinfônico'. Não faz a mínima diferença quem está cantando". Whiplash




       As pessoas precisam parar de proferir palavras preconceituosas sem pensar. Eu até entendo o posicionamento de algumas pessoas que não comparecem mais em shows e ambientes rocker/banger, porque simplesmente estão cansados desse mimimi constante
.
       Sobre ser mulher em banda: Não sou uma, mas o que a Cristina Scabbia falou neste link é válido: A música é para todos. O fato de presenciarmos mais mulheres na cena serve pra fixar mais na cabeça das pessoas que não importa qual SEXO/GÊNERO, o fator importante é o talento e dedicação com a música. Acho que ao invés de haver tanto ódio desnecessário na cena, devíamos promover a união e procurar ouvir mais música! Até mesmo porque é o que realmente importa, não é mesmo?


     Agora eu me pergunto: Porque precisamos de mais mulheres no metal? Pra ver se perguntas como estas jamais sejam repetidas: "Como é ser uma mulher no Metal? "

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Não posso deixar de citar as meninas das interwebs que me enchem de orgulho: As Mygas do Nosferô, Thays Costa, Caroline Arcanjo, Tamy Amunet, Anna Costa, Sandila, Rubia, Vânia Cristina, Sana Skull, Mariana Gaioto, Larih Mendes, Niha Cartena, Suellen Coutinho, Elen Alves, Mone Venzel, Loreta Vergen, Andressa Passos, Rokaia, Nayara Soares, Jéssica Veneno, Bruna Santos, Jaqueline Campos, Ariel Alfradique, Giovana Mathos, Carolina Ruiz,  Marcela Ziemer, Alessandra Sanches e todas as lindas do grupo Maquiagens Góticas!

Para se aprofundar mais no assunto, no blog MDS, você pode encontrar, textos sobre a mulher no rock/heavy metal, citando as mulheres na música:
Mulheres no Metal Parte 1Parte 2 - Parte 3




 Málmhaus, 2013


*Texto feito pela autora do blog.


Bloody Kisses :*




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